Opinião

De supercraque a bajulador de criminoso

"Pessoas talentosas e com capacidade de formar opinião, como é Messi, deveriam ser mais responsáveis e seletivas"
Da Redação
10/03/2026 às 09h56
Foto: IA Foto: IA

Por Antônio Reis

 

A imagem de Lionel Messi se refestelando com Donald Trump em comemoração do título do Inter Miami, no qual joga o argentino, é de causar engulhos. Messi presenteou o Capiroto com mimos alusivos ao campeão da Major League Soccer, o inexpressível campeonato estadunidense de futebol. A solenidade se deu na toca do Tinhoso (Casa Branca). Pessoas talentosas e com capacidade de formar opinião, como é Messi, deveriam ser mais responsáveis e seletivas. A imagem dividiu os próprios argentinos.   

 

Alguém avisou Messi, ídolo de muitas crianças, que o Capiroto foi condenado por abuso sexual e sobre ele paira consistente acusação de pedofilia? Que é sequestrador de autoridades, é exterminador de povos e nações e tudo faz, junto com seu comparsa que governa Israel, para provocar a terceira guerra mundial? Ou Messi acredita nos "bons propósitos" de quem pretende varrer os palestinos do mapa para transformar a Faixa de Gaza em balneário de luxo? O supercraque argentino é tolo, é mal informado, quinhoeiro da "política externa" do Capiroto ou safardana em causa própria? 

 

Muitos fãs de Messi, como todos os fãs incondicionais, principalmente aqueles que por incompetência intelectual compram raciocínios prontos, reagem com os enredos razos de sempre: "Ele é jogador de futebol e o que faz fora de campo não importa", "Não importa com quem ele se confraterniza, o importante é o que faz com a bola nos pés". Sim, Messi é um artista da bola, mas sua bajulação a Trump reflete uma ideia que me persegue há muito tempo: "O homem é menor que sua obra". 

 

Consumidores de raciocínios prontos, e até os pretensos divisores de joio e trigo, encontram sustentação, mesmo que inconsciente, na quase messiânica crença: "O pregador pode ser pecador, mas a palavra de Deus não perde valor por causa disso", onde o pregador pecador é Messi, mas sua arte (futebol) não perde o brilho pelo que faz extracampo. Tal sofisma encontra no divino justificativas e explicações para nódoas terrenas.

 

(*) Antônio Reis é jornalista, assessor de imprensa e fotógrafo diletante

 

**Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião deste veículo de comunicação

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