Justiça & Cidadania

Ex-vereador Dunga vira réu em processo da 'Operação Ligações Perigosas'

Justiça Eleitoral aceitou denúncia apresentada pelo Gaeco por corrupção eleitoral e suposto elo com o PCC
Lázaro Jr.
24/03/2026 às 15h50
Dunga divulgou vídeo após ser alvo de mandado de busca durante a operação (Foto: Reprodução) Dunga divulgou vídeo após ser alvo de mandado de busca durante a operação (Foto: Reprodução)

A Justiça Eleitoral de Araçatuba (SP) aceitou denúncia oferecida pelo Ministério Público contra ex-vereador Antônio Edwaldo Costa, o Dunga, e outros três investigados no âmbito da “Operação Ligações Perigosas” , deflagrada em conjunto entre o Gaeco (Grupo de Atuação Especializada em Combate ao Crime Organizado) e a Polícia Civil, em setembro de 2024.

 

Conforme já divulgado, a investigação apurou o tráfico de drogas, homicídios no bairro São José e o possível envolvimento do PCC (Primeiro Comando da Capital) na política de Araçatuba. Na ocasião, foram realizadas buscas na casa do ex-vereador, no gabinete dele na Câmara e na sede da Associação dos Investigadores de Polícia do Estado de São Paulo.

 

Ele acabou sendo preso em flagrante por ter sido encontrada em um dos imóveis, uma garrucha calibre 28, marca Boito, com numeração raspada. Ele obteve a liberdade provisória no dia seguinte, durante a audiência de custódia, após pagar fiança.

 

Denúncia

 

Segundo a assessoria de imprensa do Minstério Público, a denúncia apresentada e aceita pelo Juízo da 1ª Zona Eleitoral do Estado de São Paulo, foi apresentada pelo Ministério Público Eleitoral, por crimes relacionados à promoção e ao financiamento de organização criminosa e corrupção eleitoral. 

 

Além do ex-vereador, foram denunciados um assessor político e um motorista que, segundo a investigação, atuavam diretamente na articulação entre o núcleo político e integrantes da organização criminosa, participando da captação ilícita de votos e da distribuição de vantagens indevidas.

 

Segundo o Ministério Público, durante as diligências, que incluem interceptações telefônicas e outras medidas cautelares autorizadas judicialmente, a investigação identificou um núcleo político que estaria utilizando a estrutura de grupos criminosos para obtenção ilícita de votos. 

 

Promovia e financiava

 

Ainda de acordo com o Ministério Público, Dunga seria o responsável por promover e financiar a organização criminosa conhecida como “Esquina Maluca”, grupo associado a integrantes do PCC, que atuava no controle territorial do tráfico de drogas na região do São José. 

 

Em troca do apoio eleitoral, havia promessa e concessão de vantagens indevidas, como intervenções administrativas, auxílio financeiro, custeio de advogados para integrantes do grupo criminoso e facilitação de acesso a serviços públicos. 

 

Captação de eleitores

 

O Ministério Público afirma que as investigações apontaram ainda que a estrutura ilícita era utilizada para mobilizar eleitores e captar votos, especialmente entre moradores em áreas socialmente vulneráveis e indivíduos ligados ao crime organizado. “Isso comprometia a liberdade, a legitimidade e a normalidade do processo eleitoral no município”, informa nota divulgada pela assessoria de imprensa do órgão.

 

Na denúncia, o Ministério Público destaca que a gravidade das condutas demonstra desprezo pelas instituições democráticas e pelo regime eleitoral, uma vez que houve a utilização de estruturas do crime organizado para influenciar o resultado do processo político local.

 

Nega as acusações

 

A reportagem falou com Dunga, que informou que ainda não foi notificado sobre a denúncia, mas nega todas as acusações. Ele afirma ainda, que com relação à investigação realizada em Araçatuba, tudo foi arquivado.

 

E sobre essa denúncia apresentada na Justiça Eleitoral, o ex-vereador afirma que não chegou a ser ouvido e que causa estranheza que ela tenha sido aceita.

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