O prefeito de Araçatuba (SP), Lucas Zanatta (PL), publicou um vídeo nas redes sociais dele nesta segunda-feira (6), informando que o município irá retomar um dos prédios localizado na antiga Vila Ferroviária, na rua Quinze de Novembro, cedido pela administração passada ao Centro Cultural Associata.
O motivo seria a realização de uma festa nesse espaço, na noite da última sexta-feira (3), quando foi celebrado o feriado religioso da Sexta-Feira da Paixão, que relembra a crucificação e morte de Jesus Cristo.
No vídeo, o prefeito cita que tomou conhecimento do evento, que ele classificou como “horrível”, nesta segunda-feira (6). Zanatta disse que conversou com a Secretaria de Negócios Jurídicos, com a Procuradoria do Município e com as secretarias de Governo e Administração, e foi decido pela retomada do prédio.
“Decidimos que nós vamos retomar o prédio, o imóvel público, que foi cedido à Associação de Artistas em 2023, na gestão passada, com a finalidade de promover a arte na cidade, não o que nós vimos na sexta-feira”, declarou.
Moralidade
Para ele, o evento realizado fere a moralidade, as famílias e os valores de Araçatuba. Ainda segundo Zanatta, a administração municipal sempre preza pela liberdade de todos, defendendo que todos tenham espaço.
Porém, de acordo com ele, a liberdade tem limites que foram ultrapassados. “Nós não seremos tolerantes a isso. Por isso que hoje a Prefeitura toma essa atitude”, finaliza o vídeo.
Vereadores também se manifestaram nas redes sociais, condenando a realização da festa, e o vereador Fernando Fabris (PL) pediu que o Ministério Público investigue possíveis irregularidades na utilização do bem público.
A reportagem encaminhou e-mail à assessoria de imprensa do Ministério Público pedindo informações a respeito dessa representação e aguarda retorno.
Desculpas
A reportagem também procurou a Associata, que explicou que apenas cede o espaço para os movimentos culturais e artísticos realizarem seus eventos, afirmando que não teve participação na festa denominada “Sangria Profana”, realizada na última sexta-feira.
Além disso, a associação emitiu uma nota se desculpando com as pessoas que se sentiram ofendidas com a realização do evento. “Expressamos, publicamente, nossas mais singelas desculpas à parcela da sociedade que foi impactada negativamente pela ação ocorrida”, cita.
A entidade informa que uso do espaço está alinhado com a função social e com o compromisso de fomentar iniciativas que contribuam para o desenvolvimento cultural e cidadão, de forma plural e democrática.
“Desde sua inauguração, já foram atendidas mais de 10 mil pessoas, com a realização de cerca de 900 eventos, entre cursos, oficinas, ensaios, apresentações culturais, dentre outras ações", informa.
Fake news
A nota informa ainda que o Centro Cultural Associata foi concebido como um ambiente plural, aberto à diversidade de expressões culturais, sociais e artísticas, respeitando os princípios de inclusão, diálogo, participação da comunidade e do interesse público.
Para a entidade, embora o evento de sexta-feira tenha gerado indignação a uma parcela da população, é triste que agentes políticos façam uso da desinformação para obter engajamento nas redes sociais, na tentativa de garantir capital político, com o que chamou fake news e mentiras.
“Há um tempo para ficar calado, entender o que houve e um tempo para falar. Acusar o Espaço Cultural de uma festa satanista em um vídeo repleto de efeitos visuais e frases de efeito é um sintoma claro de politicagem barata e feita apenas para mexer com a emoção de seus seguidores”, informa a nota.
Diálogo
Ainda de acordo com a associação, o que poderia ser uma pauta seria de debate, “se tornou um circo de horrores”, com objetivo de tentar tomar o prédio, que tem sediado tantas atividades benéficas para a sociedade, segundo o que foi informado.
A entidade afirma que a Prefeitura corrobora com tais práticas ao tomar atitudes precipitadas e mal apuradas. “Trata-se de um triste momento da política araçatubense. O Estado é laico e a desinformação é crime”, cita.
Por fim, a Associata afirma que reforça o compromisso com a transparência, o respeito à comunidade e a valorização da cultura como direito fundamental e segue à disposição para diálogo e esclarecimentos.