A Polícia Civil de Birigui (SP) instaurou inquérito para apurar as denúncias feitas contra uma professora de uma escola municipal da cidade, acusada de queimar as mãos de crianças com cola quente durante as aulas de arte.
Na segunda-feira (16), duas mães haviam procurado a DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) para registrar boletim de ocorrência, comunicando que os filhos delas, ambos com 10 anos de idade, apresentavam queimadura nos dedos, causadas por cola quente.
Entretanto, de acordo com o delegado Eduardo Lima de Paula, responsável pela Delegacia do Município, até o momento já foram identificadas oito crianças, todas com 10 anos de idade e de uma mesma sala de aula.
Ele orienta aos pais de crianças que tenham passado pela mesma situação e que ainda não denunciaram, que se dirijam diretamente à Delegacia do Município para receber a requisição para que as possíveis vítimas passem por exame de corpo de delito para constatar a gravidade das lesões.
Casos
De acordo com o que foi apurado pela reportagem, além dos dois boletins de ocorrência registrados na segunda-feira, a mãe de uma terceira criança foi à delegacia na terça-feira (17).
Ela contou que segundo o filho dela, na sexta-feira (13), durante a aula de artes, a professora havia informado que as crianças que quisessem ir ao banheiro deveriam ir até ela e abrir a mão, para ela aplicar cola quente.
Ainda segundo essa mãe, o filho dela contou que não queria ir ao banheiro e não foi até à professora, mas ela teria passado na carteira de cada aluno que não foi até ela para aplicar a cola quente.
Segundo a mulher, o filho dela contou que na vez dele, ele chegou a esticar o braço e abrir a mão para a professora, mas no momento em que ela iria aplicar a cola, ele rapidamente retirou a mão, que não ficou lesionada.
Investigação
A polícia informa que pelas diligências preliminares e com informações dos ofícios expedidos pela escola e pelo Conselho Tutelar, já foi possível identificar a professora de artes da instituição de ensino como sendo a autora das supostas lesões.
Devido à gravidade das denúncias, que incluem indícios de maus-tratos qualificados e lesões corporais contra menores de 14 anos, e da quantidade de vítimas já identificadas pela equipe multidisciplinar da Secretaria Municipal de Educação, decidiu-se pela instauração do inquérito policial.
Próximos passos
De acordo com o delegado, primeiro devem ser ouvidos os pais e ele irá aguardar o resultado dos laudos dos exames de corpo de delitos sobre as lesões sofridas pelas vítimas, para depois ouvir as testemunhas.
Também serão juntados os documentos solicitados à Prefeitura, referentes à parte administrativa para, ao final do procedimento, ouvir a professora e decidir pelo possível indiciamento ou não. A Prefeitura já informou que ela foi afastada provisoriamente das funções.