Polícia

‘Operação Regresso’ teve início com celular apreendido na ‘Operação Ligações Perigosas’

Aparelho apreendido em setembro de 2024 ajudou a polícia e o Gaeco a identificarem lideranças do PCC na região
Lázaro Jr.
01/08/2026 às 13h35

A “Operação Regresso”, que foi deflagrada na sexta-feira (SP) contra pessoas que teriam ligação com a facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital), teve início a partir de informações extraídas de um dos celulares apreendidos durante a “Operação Ligações Perigosas”  deflagrada em setembro de 2024.

 

Na ocasião, foram expedidos 35 mandados de prisão temporária e 104 mandados de busca e apreensão, relacionados à suspeita de infiltração da facção criminosa na política local, no tráfico de drogas e no esclarecimento de homicídios.

 

Com relação à “Operação Ligações Perigosas”, pelo menos onze investigados denunciados já foram condenados, com penas que chegam a 18 anos de prisão. Ainda há processos tramitando na Justiça Estadual e também na Justiça Eleitoral, que aceitou denúncia contra cinco réus, na investigação relacionada à possível infiltração da facção criminosa na política local.

 

Investigações conjuntas

 

As duas operações são resultado de investigação conjunta da Polícia Civil com o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) e da Polícia Militar. Desta vez, no caso da Polícia Civil, o trabalho é conduzido pelo Necoold (Núcleo Especializado de Combate à Criminalidade Organizada e à Lavagem de Dinheiro), que foi oficializado em portaria publicada no Diário Oficial do Estado em maio deste ano, como um projeto piloto em Araçatuba. 

 

Em entrevista coletiva concedida após o cumprimento dos mandado na sexta-feira, o delegado Divisionário da Deic (Divisão Especializada de Investigações Criminais) de Araçatuba, Carlos Henrique Cotait, revelou que demorou cerca de um ano até ser possível quebrar a senha e ter acesso ao conteúdo desse aparelho apreendido na “Operação Ligações Perigosas”.

 

De acordo com ele, o conteúdo desse aparelho foi compartilhado com a Polícia Militar, que também faz um monitoramento constante de integrantes do PCC, e houve o envolvimento do Gaeco, para chegar até os novos pedidos de mandados de busca e de prisão, que foram cumpridos na sexta-feira.

 

Duas investigações

 

Segundo o promotor de Justiça do Gaeco de Araçatuba, Rodrigo Alves Gonçalves, a investigação permitiu identificar quem seriam os coordenadores da “Sintonia do Progresso” da facção, que é o setor responsável pelo tráfico de drogas, em Araçatuba.

 

Porém, o delegado coordenador do Necoold, Juliano Albuquerque Goes, revelou que na verdade há duas investigações em andamento, uma relacionada à “Sintonia do Progresso” da região 018 e a outra apura o grupo ligado ao setor disciplinar do PCC, que é o responsável pelo chamado “Tribunal do Crime”.

 

“Já detectamos tratativas para coagir testemunhas, condução de integrante ao chamado tribunal do crime, e questões relacionadas a violência doméstica e furto”, informou.

 

Segundo o que foi divulgado, com base nessas informações, foi possível identificar e prender pessoas que estariam envolvidas com crimes de ameaça, entre outras, por meio de investigações paralelas, antes mesmo da deflagração da operação nesta sexta.

 

Com isso, segundo a polícia, foi possível evitar que pessoas que eventualmente seriam inocentes, não fossem levadas a julgamento pelo Tribunal do Crime do PCC em Araçatuba e na região 018.

 

Resultado

 

Como resultado da “Operação Regresso”, nove pessoas foram presas. Balanço divulgado aponta que foram três prisões em flagrante durante os cumprimentos de mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça e os outros seis investigados tiveram os mandados de prisão cumpridos.

 

Entre eles, está uma mulher de 38 anos, moradora no bairro São José. Segundo a polícia, havia contra ela um mandado de prisão preventiva expedido em 13 de maio, relacionado a um processo por tráfico de drogas.

 

Armas

 

Também foi apreendida uma pistola calibre 9mm e dois revólveres calibre 38, um deles encontrado com Leandro Lopes Rosa da Silva, 36 anos. Ele morreu durante cumprimento a mandado de busca e apreensão na casa dele, em Penápolis, ao reagir à abordagem de equipe do Baep (Batalhão de Ações Especiais de Polícia).

 

Foram recolhidas ainda 47 munições calibre 9 mm intactas, 15 munições calibre 38 intactas, 21 celulares, dois tablets, um computador, diversas anotações e R$ 17.775,45 em dinheiro.

 

Por fim, a Polícia Civil apreendeu todo o estoque de uma loja no Camelódromo de Araçatuba, que seria administrada por um dos alvos da operação, suspeito de adquirir grandes quantidades de entorpecentes de integrantes do PCC. As mercadorias, entre roupas, calçados e eletrônicos, não tinham comprovação de procedência.

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