Opinião

A era das realidades inventadas já faz parte de nossas vidas

"O problema é que, quando alguém compartilha isso sem checar, acreditando de primeira, acaba virando peça-chave na engrenagem da desinformação"
Da Redação
15/03/2026 às 07h38
Imagem: Burj Khalifa, o prédio mais alto do mundo sendo bombardeado (fake) Imagem: Burj Khalifa, o prédio mais alto do mundo sendo bombardeado (fake)

Por Cassio Betine

 

As inteligências artificiais que criam imagens e vídeos realistas estão virando um verdadeiro espetáculo digital. O lance é que, de tão convincentes, muita gente já entra nessa. Circulam nas redes sociais vídeos de supostos bombardeios em guerras, como no Irã, por exemplo, que muitos deles nunca aconteceram, mas que parecem filmagens de telejornal – às vezes até melhores.

 

O problema é que, quando alguém compartilha isso sem checar, acreditando de primeira, acaba virando peça-chave na engrenagem da desinformação. E não para por aí: já vimos “discursos” de políticos que nunca foram feitos, fotos de celebridades em lugares onde nunca estiveram e até registros falsos de desastres naturais.

 

Como podemos perceber, essas criações não ficam restritas ao mundo artístico, e quando são usadas para simular fatos, podem manipular opiniões, gerar pânico e até influenciar decisões políticas ou econômicas – inclusive já houve um caso no Brasil em que uma jovem de 22 anos, chamada Jéssica Vitória Canedo, morreu após a divulgação de conteúdos falsos envolvendo seu nome. Prints de conversas forjadas que circularam nas redes sociais, acabou gerando grande pressão e exposição pública, levando a essa tragédia.

 

O mais complicado é que quem re-publica esse tipo de ‘notícia’, sem checar antes, acaba dando ainda mais força para a confusão. Por isso, é necessário prestar atenção e desconfiar de conteúdos muito impactantes, chocantes ou intrigantes antes de comentar e compartilhar. Afinal, hoje em dia “ver para crer” já não funciona tão bem – exceto se for ao vivo.

 

E há centenas de ferramentas disponíveis para criar essas imagens e vídeos, inclusive com áudios bem realistas que até imitam perfeitamente a voz e entoação de uma pessoa. Sistemas como o MidJourney, Stable Diffusion DALL·E da Open IA, Gemini do Google, Runway, Pika Labs são algumas delas, mas há centenas de outras.

 

Mas olha só, antes de recriminar, a intenção de mencioná-las aqui não é de estimular leitores de má fé utilizá-las – isso depende da índole de cada um. A questão é mostrar a quem interessar ou tiver curiosidade, o potencial que elas oferecem. E são realmente ótimas! Eu e meu pessoal fazemos uso rotineiro de todas ferramentas de IA que possam agilizar nosso processo de trabalho.

 

Bom, voltando ao problema, se projetarmos esse cenário para daqui a 50 ou 80 anos onde, com certeza, essas ferramentas serão muito, mas muito melhores que as de hoje? A coisa pode ficar ainda mais surreal. Imagine só realidades inteiras criadas por IA indistinguíveis da vida real, com eventos históricos paralelos que nunca existiram?

 

Até a memória coletiva da humanidade poderia ser reescrita por algoritmos. Nesse futuro remoto que imagino, a responsabilidade de cada pessoa em verificar e questionar será ainda maior, porque cada clique e cada compartilhamento terá o poder de moldar percepções e até criar versões alternativas da própria história.

 

No fim das contas, a tecnologia é fascinante e cheia de possibilidades criativas, mas também traz um desafio enorme: aprender a viver em um mundo onde nem tudo que parece real é de fato verdadeiro. E aí, a pergunta que fica é: você está preparado para isso?

 

Cassio Betine: Pós-graduado em Tecnologias da Aprendizagem, Bacharel em Artes e Desenho Industrial. Coordenador e Mentor de Negócios e Eventos. Autor de livros, artigos e produtor de conteúdos diários sobre Tecnologia, Inovação e Comportamento. É empreendedor em outros negócios e fundador da F7Digitall.com – Tecnologia & Comunicação

 

**Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião deste veículo de comunicação

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