O Museu Dr. Renato Cordeiro, de Birigui (SP), recebe a partir do dia 10 de março, às 19h, a exposição “Ressignificando Cicatrizes”, que ficará aberta ao público até 31 de março. A mostra propõe uma experiência que integra fotografia, poesia, música e formação artística.
O projeto nasce das vivências pessoais da fotógrafa e idealizadora Janaina Gaiarin, que a partir das próprias cicatrizes, físicas e emocionais, e de um profundo processo de autoconhecimento, transforma experiências em investigação estética sobre corpo, memória e ressignificação.
Entre essas marcas está a experiência do abuso sexual na infância, uma violência que atravessa a realidade de inúmeras mulheres. Ao compreender as próprias cicatrizes não como ponto final, mas como travessia, Janaina desenvolve uma pesquisa autoral que dialoga com histórias compartilhadas por outras mulheres.
A maternidade também integra essa reflexão. A cicatriz da cesariana e as emocionais dessa fase é apresentada como marca de potência e transformação, questionando os julgamentos sociais que classificam cicatrizes como “imperfeições”. O projeto propõe outro olhar: marcas não como falhas, mas como registros de experiências que fortalecem e ampliam consciência.
Coletivo feminino
Embora seja um projeto autoral, “Ressignificando Cicatrizes” se sustenta no coletivo feminino. Realizado por mulheres, reúne diferentes linguagens em uma experiência estética integrada.
A mostra apresenta retratos de sete mulheres, explorando corpo, gesto e memória como narrativas visuais. Cada fotografia inspira um poema inédito de Carla Camargo, estabelecendo diálogo entre imagem e palavra.
A exposição conta com curadoria de Rafael Mantello, responsável pela organização do percurso expositivo no espaço museológico, fortalecendo o diálogo entre as linguagens e ampliando a inserção institucional do projeto.
A programação inclui o espetáculo musical “Ressignificando Cicatrizes”, interpretado por Carla Camargo (voz) e Larissa Melinsky (violão e guitarra). A curadoria das músicas foi realizada por Carla Camargo, a partir de uma pesquisa aprofundada sobre os temas centrais do projeto, reunindo repertório exclusivamente brasileiro que dialoga com trajetórias de dor, superação e reinvenção.
Oficinas
Como ação formativa, o projeto promove oficinas de expressão poética nos dias 10 e 11 de março, às 8h, e 14 de março, às 9h30. A oficina é uma criação de Carla Camargo, que responde por sua concepção metodológica e condução artística, alinhada aos eixos conceituais do projeto.
Ela conta com a participação da psicóloga Célia Santos e da facilitadora de processos de autoconhecimento Ellen Gaioto. As oficinas são abertas a mulheres da comunidade e não necessitam inscrição prévia.
“Ressignificando Cicatrizes” é um convite à reflexão sobre corpo, rótulos e memória, reafirmando a arte como espaço de transformação, informa nota divulgada à imprensa.
Serviço
Abertura: 10 de março, às 19h
Visitação: 10 a 31 de março
Entrada gratuita