O poeta, escritor e jornalista Eric Oliveira Costa e Silva, integrante do cenário literário de Araçatuba (SP), teve o conto “Código do Dragão” selecionado para a coletânea Canção de Ninar, da Musa Editorial, de Curitiba (PR). Ele integra o projeto do Grupo Experimental da Academia Araçatubense de Letras e mantém o blog Cantinho do Eric.
Conhecido pela atuação poética e por uma escrita marcada pelo lirismo e pela reflexão existencial, o autor comenta que agora expande o repertório ao dialogar com o gênero fantástico, não como mero exercício de imaginação, mas como uma forma de aprofundar questões humanas universais.
De acordo com ele, em “Código do Dragão”, a fantasia não surge apenas como ambientação, mas como linguagem: um meio de traduzir afetos, falhas e processos de autoconhecimento.
Ao abordar a temática da maternidade sob o prisma do extraordinário, eixo central da coletânea, Eric cita que constrói uma narrativa em que o vínculo materno ultrapassa a biologia e se torna força criadora de sentido.
Obra
Na obra, a personagem Orum, uma entidade não humana, representa uma maternidade que acolhe, interpreta e ressignifica a existência. “A literatura fantástica me permite dizer o que o realismo, às vezes, limita”, explica.
O autor acrescenta que no conto, a ideia de ‘código’ nasce como metáfora daquilo que cada ser carrega, mas nem sempre consegue compreender sozinho. “A mensagem que busco transmitir é que até aquilo que percebemos como erro pode ser, na verdade, um encontro necessário”, afirma.
Seleção
Para ele, a seleção para a antologia nacional marca um momento significativo na própria trajetória, já que ter o conto escolhido foi uma confirmação de que é possível expandir caminhos sem perder a identidade. “É também uma oportunidade de levar uma escrita mais simbólica e sensível para novos leitores”, destaca.
Segundo Eric, do ponto de vista crítico, “Código do Dragão” se estrutura como um conto moderno de matriz simbólica. A narrativa privilegia a intensidade sobre a extensão: a ação é mínima, o evento central se concentra em uma ruptura breve, a queda do dragão, e o foco recai sobre a revelação de sentido.
Nesse percurso, o texto dialoga com tradições consagradas ao utilizar o fantástico como linguagem do humano, construir um clímax de natureza epifânica e explorar a inadequação como eixo existencial.
Linguagem
Ainda de acordo como autor, a força do conto reside, sobretudo, em sua elaboração linguística. De acordo com ele, as metáforas não atuam como ornamento, mas como elemento estruturante da narrativa, enquanto o lirismo sustenta o desenvolvimento e o simbólico substitui o realismo direto.
Ao mesmo tempo, a construção da personagem materna reforça o protagonismo não humano exigido pela proposta editorial, ampliando a noção de cuidado, instinto e proteção para além de padrões convencionais.